Monday, April 03, 2006

Anabelle escreve sobre Flor...



"- Já não tenho folhas em branco em meus cadernos para te escrever, Flor...
Annabelle olha para suas fotos no porta-retrato e lembra da amiga, do instinto protetor, materno dela. Era uma artista. Uma ótima fotógrafa (sempre conseguia os melhores ângulos de Annabelle), uma cantora de voz rouca e um talento inacreditável para estilismo.
A Flor era filha de hippies, mineira e apaixonada por música. Elas se conheceram de forma pouco convencional, mas foi amor à primeira vista. Annabelle sempre se pegava pensando na cara de pau das duas. A dela, de mandar um bilhete pra Flor sem nem conhecê-la, só por indicação de um amigo virtual e a da outra, que aceitou dormir na casa de Annabelle antes mesmo de terem se visto pela primeira vez.
Annabelle riu sozinha do primeiro encontro das duas. Fizera a moça desconhecida se deslocar 23 Km só para se conhecerem... e passaram a noite toda rindo e conversando. Como podiam se dar tão bem, serem tão parecidas? Não conseguia imaginar como vivera até ali sem a Flor.
Sente falta da amiga. Mas Flor é livre como ela e nunca está parada num lugar. Estava na casa do pai (depois de passar pelo Rio e por BH) e só voltaria na Páscoa.
- Ai, Florzinha! Cadê você para me dar colo e cafuné?
Lembrou-se da paixão de ambas por Los Hermanos (e um flash back da amiga nonsense ligando pro produtor deles a fez dar uma gargalhada)... Sentiu vontade de gritar um dos versos de “Paquetá”.
“Sem você, sou pá furada...”
- Sou pá furada, corpo sem alma, santo sem vela, cantor sem voz, pé sem meia, pernas sem movimento. Tudo é vazio.
E no som Caetano canta Totalmente Demais só pra lembrar Annabelle que ainda faltam 15 dias para que possam finalmente distribuir abraços e beijinhos e carinhos sem fim.

Pela primeira vez, não pensava em Gio."


Tirado do multiply
http://charlottebass.multiply.com/journal/item/153

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